OLA (Operational Level Agreement): o que é

Um OLA (Operational Level Agreement) é o acordo interno que torna os SLAs possíveis. Perceba o que é, como se diferencia do SLA e do Underpinning Contract, e como criar acordos de nível operacional que realmente funcionam entre equipas internas.

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O que é um OLA

Definição

"Um OLA (Operational Level Agreement) é um acordo entre equipas internas de uma organização que define as responsabilidades e níveis de serviço que cada equipa deve garantir para suportar a entrega dos SLAs ao cliente."

O OLA vive dentro da organização. Enquanto o SLA regula a relação entre o prestador de serviços e o cliente externo, o OLA regula a relação entre as equipas internas que colaboram para entregar esse serviço. É um mecanismo de coordenação interna, não um contrato legal.

A lógica é directa: para cumprir um SLA que promete resolver incidentes críticos em 1 hora, a equipa de service desk precisa que a equipa de redes restaure a conectividade em 30 minutos. Esse compromisso interno é o OLA.

OLA é interno, SLA é externo

A distinção fundamental entre OLA e SLA está nas partes envolvidas e na natureza do acordo:

  • OLA é interno - celebrado entre equipas dentro da mesma organização. Tem carácter colaborativo e não é juridicamente vinculativo.
  • SLA é externo - celebrado entre o prestador de serviços e o cliente. Pode ter consequências contratuais se não for cumprido.

Exemplo concreto: a equipa de redes compromete-se (OLA) a restaurar a conectividade em 30 minutos para suportar o SLA de 1 hora de resolução que o prestador garantiu ao cliente. O cliente vê apenas o SLA. O OLA é a engrenagem interna que o torna possível.

OLA vs SLA vs UC

No ITIL 4, a gestão de níveis de serviço assenta em três tipos de acordos distintos que formam uma cadeia de compromissos: o SLA com o cliente, os OLAs entre equipas internas, e os Underpinning Contracts com fornecedores externos.

Aspecto SLA OLA UC (Underpinning Contract)
Partes envolvidas Prestador e cliente Equipa interna e equipa interna Prestador e fornecedor externo
Tipo Acordo de serviço Acordo operacional interno Contrato legal
Foco Nível de serviço ao cliente Suporte interno ao SLA Serviços de terceiros
Exemplo "Incidentes P1 resolvidos em 1h" "Equipa de BD responde em 15min" "ISP garante 99,9% uptime"
Vinculação Formal, por vezes contratual Interno, colaborativo Legal e contratual

A cadeia de compromissos

Os três tipos de acordo funcionam em conjunto. O SLA define o que o cliente espera. Os OLAs asseguram que as equipas internas se coordenam para cumprir esse compromisso. Os Underpinning Contracts garantem que os fornecedores externos entregam o que é necessário para suportar os OLAs.

SLA
Com o cliente
OLA
Entre equipas internas
UC
Com fornecedores externos

Se algum elo desta cadeia falhar, o SLA fica em risco. Por isso, a gestão de níveis de serviço eficaz exige atenção aos três tipos de acordo, e não apenas ao SLA visível ao cliente.

Componentes de um OLA

Um OLA bem estruturado deve cobrir seis componentes essenciais. Omitir qualquer um cria lacunas que se tornam problemas quando os limites são testados.

1

Identificação das partes

Quais equipas estão envolvidas e quais os seus responsáveis. Deve incluir o nome da equipa fornecedora, a equipa consumidora e os respectivos gestores ou pontos de contacto para escalonamento.

2

Serviços cobertos

Que serviços e actividades o OLA cobre. A descrição deve ser clara o suficiente para evitar ambiguidade sobre o que está e o que não está incluído no acordo.

3

Níveis de serviço

Tempos de resposta, tempos de resolução, disponibilidade e outros indicadores mensuráveis. Os níveis devem ser suficientemente rigorosos para suportar o SLA, mas realistas para a equipa cumprir consistentemente.

4

Procedimentos de escalonamento

O que acontece quando os limites não são cumpridos. Quem contactar, em que momento e como documentar a situação. O escalonamento claro evita conflitos e paralisia em momentos críticos.

5

Métricas e relatórios

Como e quando o desempenho é medido e reportado. Inclui os indicadores a monitorizar, a frequência dos relatórios e quem os recebe. Sem medição, o OLA é apenas papel.

6

Revisão e actualização

Periodicidade da revisão do OLA e as condições que podem desencadear uma revisão extraordinária. Um OLA desactualizado torna-se um obstáculo em vez de uma ferramenta.

Exemplo prático de OLA

O exemplo seguinte ilustra um OLA entre o service desk (equipa consumidora) e a equipa de bases de dados (equipa fornecedora), num contexto de suporte a incidentes.

Componente Detalhe
Equipa fornecedora Equipa de Bases de Dados
Equipa consumidora Service Desk (Nível 2)
Serviço Suporte a incidentes de bases de dados
Horário Dias úteis, 08h00-18h00
Tempo de resposta P1: 15 minutos, P2: 30 minutos, P3: 2 horas
Tempo de resolução P1: 1 hora, P2: 4 horas, P3: 8 horas
Escalonamento Se não há resposta em 2 vezes o tempo definido, escalona para o gestor da equipa de BD
Relatório Mensal, com métricas de conformidade por prioridade
Revisão Trimestral ou quando o SLA associado for alterado

Este OLA suporta directamente um SLA que promete resolver incidentes de bases de dados em 2 horas para utilizadores internos. Os tempos de resposta e resolução do OLA são suficientemente curtos para absorver a gestão pelo service desk e ainda cumprir o prazo do SLA.

Nota sobre prioridades

As prioridades P1, P2 e P3 no OLA devem corresponder às mesmas prioridades definidas no processo de gestão de incidentes. O alinhamento de terminologia entre equipas evita confusões e atrasos desnecessários.

Como criar OLAs eficazes

A maioria dos OLAs falha não por falta de documentação, mas por falta de envolvimento das equipas e de ligação clara aos SLAs que pretendem suportar.

5 princípios para OLAs que funcionam

Partir dos SLAs

Os OLAs existem para suportar os SLAs. Comece por identificar que contribuições internas cada SLA exige e construa os OLAs a partir dessas necessidades. OLAs desligados dos SLAs são métricas sem propósito.

Envolver as equipas

OLAs impostos não funcionam. As equipas devem participar activamente na definição dos seus compromissos. Quando as pessoas concordam com os níveis porque os consideraram realistas, o cumprimento é substancialmente mais elevado.

Metas realistas

Definir metas que as equipas conseguem cumprir consistentemente. OLAs com metas impossíveis são ignorados na prática, mesmo que estejam assinados no papel. Um nível alcançável gera confiança e melhoria progressiva.

Medir e reportar

Sem monitorização, o OLA é papel. Medir a conformidade com regularidade e partilhar os resultados com as equipas envolvidas cria responsabilização e permite identificar problemas antes de afectarem os SLAs.

Manter simples

Um OLA de 50 páginas não é lido por ninguém. Ser claro, directo e prático. Cobrir os componentes essenciais sem complexidade desnecessária. A clareza é mais valiosa do que a abrangência exaustiva.

Erros comuns

Os erros mais frequentes na gestão de OLAs não estão na redacção do documento, mas na forma como são integrados na operação diária.

OLAs sem relação com SLAs

Se os OLAs não suportam directamente os SLAs, estão desalinhados. Medir o tempo de resposta interno quando o que o cliente vê é o tempo de resolução total cria uma falsa sensação de controlo que não se traduz em melhores resultados para o cliente.

Falta de monitorização

Criar o OLA e não medir o cumprimento. Sem dados, não é possível saber se as equipas estão a cumprir os seus compromissos, nem identificar onde estão os gargalos que afectam o serviço ao cliente.

Esquecer os Underpinning Contracts

Os fornecedores externos também precisam de contratos que suportem os OLAs. Se a equipa de redes depende de um ISP para cumprir o seu OLA, esse ISP deve ter um UC com níveis compatíveis. Ignorar os UCs cria vulnerabilidades na cadeia de compromissos.

Não rever os OLAs

As necessidades mudam. Quando os SLAs são renegociados, quando as estruturas das equipas se alteram ou quando os volumes de trabalho crescem, os OLAs desactualizados perdem relevância e tornam-se fonte de conflito em vez de coordenação.

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Perguntas frequentes

Um OLA (Operational Level Agreement) é um acordo interno entre duas equipas de uma mesma organização que define os níveis de serviço que uma equipa deve garantir à outra para suportar a entrega dos SLAs ao cliente final. Diferente do SLA, que é externo, o OLA é interno e colaborativo.

O SLA (Service Level Agreement) é um acordo entre um prestador de serviços e o cliente externo. O OLA é um acordo interno entre equipas dentro da mesma organização. Os OLAs suportam os SLAs: os compromissos internos definidos no OLA permitem ao prestador cumprir os compromissos externos definidos no SLA.

Os OLAs devem ser criados em conjunto pelas equipas envolvidas, com o apoio do gestor de níveis de serviço (Service Level Manager). É fundamental que as equipas participem activamente na definição dos seus compromissos, em vez de receberem um OLA imposto por outra área.

Um Underpinning Contract (UC) é um contrato legal entre um prestador de serviços e um fornecedor externo. Enquanto o OLA é interno e colaborativo, o UC é externo e juridicamente vinculativo. A cadeia completa é: SLA (com o cliente) suportado por OLAs (internos) e UCs (com fornecedores externos).

A maioria das organizações revê os OLAs trimestral ou semestralmente. A revisão deve acontecer sempre que os SLAs associados mudam, quando os processos internos são reorganizados, ou quando os resultados mostram que os níveis definidos não são adequados.

Tecnicamente sim, mas não faz muito sentido. O OLA existe para suportar o cumprimento de um SLA. Criar acordos internos sem os alinhar a compromissos com o cliente resulta em métricas desconectadas da realidade do serviço. O ponto de partida deve sempre ser o SLA.

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